Exemplo Edificante

                               Rejaniel cumprimentado pelo dono do restaurante

            (foto:direito.folha.uol.com.br)

                             Rejaniel e Sandra Regina

                                 (foto:nevesalvaro.blogspot.com)

Exemplo Edificante

*Lícia Peres

À medida em que o tempo passa, instala-se nas pessoas a tendência a um certo ceticismo e a relativização das coisas. O ceticismo é a descrença de que o mundo pode ser mudado e o jeito é aceitar a perda dos ideais da juventude. Há nessa posição o abandono das grandes esperanças, instala-se o conformismo, o que não é bom por representar a rendição. Na relativização das coisas, em nível pessoal, há ganhos de sabedoria e maturidade. Afinal, o namoro desfeito, encarado na adolescência como tragédia e perda irreparáveis, termina por cair no esquecimento e a vida segue em frente, quase sempre para melhor. Daí a sabedoria popular, em relação às dores, de “dar tempo ao tempo” ou o conselho poético de Rilke: “ A vida tem razão em todos os casos”.

Em meio a tantos descalabros, desvio de dinheiro, apropriação de verbas públicas que ficam no meio do caminho, mentiras e o conluio entre políticos e contraventores, foi cassado o mandato do senador Demóstenes Torres que ficará inelegível até 2027. Melhora, assim, a imagem do Senado.

Mas, o tema deste artigo é outro.

Trata-se do exemplo edificante de dois moradores de rua, em São Paulo. Ao encontrar e entregar à polícia R$ 20 mil que foram furtados de um restaurante japonês, Rejaniel de Jesus Silva Santos e sua companheira Sandra Regina Domingues- um casal de catadores de material reciclável que mora embaixo de um viaduto em Tatuapé- encontraram e entregaram à policia R$20 mil que foram furtados de um restaurante japonês. Para quem vive em precárias condições, essa quantia representa uma verdadeira fortuna. Rejaniel, ao tomar a decisão de não ficar com o dinheiro, diz ter lembrado do conselho materno “para não roubar nada dos outros”.

O restaurante propôs, em agradecimento, pagar sua passagem de volta para o Maranhão, sua terra de origem, ou para Curitiba onde mora a família de sua companheira. A outra oferta – de treinamento e emprego- foi a escolhida, o que representa a perspectiva de uma nova vida.

Ao final da entrevista, Rejaniel diz esperar “que a mãe sinta orgulho dele”, o que certamente ocorrerá, assim como nós sentimos. Seu exemplo de honradez e moralidade faz aumentar a esperança de que esta atitude tenha um efeito multiplicador sobre a sociedade brasileira, tão carente de valores.

* Socióloga

Reprodução do meu artigo publicado em Zero Hora (13/07/12):

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Sobre Lícia Peres

Sou socióloga, feminista, fundadora do PDT, mãe do Lorenzo, cinéfila, amante da literatura e da música. Nascida em Salvador-BA, adoro os verões baianos, onde encontro minha família de origem. Escrevo sobre temas da atualidade e, seguidamente, faço palestras.
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