Eleição no Egito

 

O mundo inteiro vem acompanhando a situação política do Egito.

A junta militar que governou o país até as eleições  usou  de repressão contra o povo e particularmente contra as mulheres.  A reação às mulheres que tentavam participar do processo eleitoral, foi o espancamento brutal e covarde. O fato gerou protestos  veementes  da comunidade internacional. A população feminina ocupou as ruas para protestar.

Em dez de 2011 escrevi o artigo abaixo  que foi publicado em Zero Hora.

Violência no Egito, por Lícia Peres*

A agressão à jovem egípcia que foi brutalmente espancada por soldados e deixada seminua no chão simboliza a imagem de um país onde as mulheres têm sido excluídas do processo de transição e relegadas a uma condição inferior. Creio que a discriminação, qualquer que seja, é porta aberta para a injustiça. Os protestos contra a discriminação de gênero vêm mobilizando a população feminina, integrante da marcha na praça Tahrir, centro da Primavera Árabe.

A presença das mulheres e seu ativismo despertaram a fúria dos governantes expressa na brutal repressão.

O processo eleitoral está em curso. A imagem que ocupa os vídeos de todo o mundo, além de afrontar o mundo civilizado, “desonra o próprio governo” , como bem afirmou Hillary Clinton, secretária de Estado norte-americana. Ao tentar desqualificar os protestos, o Conselho Supremo das Forças Armadas, que comanda o Egito, rejeitou as críticas, classificando-as como “ingerência estrangeira”.

Esse fato, que atinge a todos nós – mulheres e homens –, representa uma violação aos direitos humanos e requer a união de todos os organismos internacionais no sentido de responsabilizar os agressores.

Lembro que o Tribunal Penal Internacional, cuja criação foi ratificada por dezenas de países, nasceu com a finalidade de julgar crimes de genocídio, de guerra e aqueles contra a humanidade, buscando garantir justiça nos casos em que esta não possa ser obtida nos países onde as violações ocorreram.

A brutalidade do espancamento e humilhação sofridos pela jovem egípcia e testemunhada, graças à internet, por milhões de pessoas, representa, a meu ver, crime contra a humanidade. Há procedimentos atrozes que são a negação da própria condição humana, aqueles que aviltam e humilham o outro, retirando-lhe a dignidade a que todos os seres humanos têm direito.

Milhares de mulheres saíram às ruas em protesto contra a covardia.

Nós também temos o dever de nos manifestar exigindo a punição dos culpados.

A solidariedade internacional tem peso. A história vem confirmando isso.

Precisamos evoluir, ainda mais, na afirmação da ideia de cidadania internacional e de uma cultura de paz.

É uma frase batida, mas verdadeira: “O silêncio é cúmplice da violência”.

********

Mesmo  com as eleições realizadas, ainda são incertos os caminhos do novo governo que representa a Irmandade Muçulmana.  Logo saberemos.
Esta dúvida está expressa no artigo abaixo.

                                                             notícia a7.com

                                                             Mohamed Mursi, o presidente eleito

(notícia terra.com)

Revolução para não mudar, Hélio Schwartsman (FSP)

A Primavera Árabe fracassou no Egito? É preciso um certo cuidado ao empregar verbos drásticos como “fracassou”, mas os sinais que emergem daquele país não são dos mais animadores.
É verdade que um tirano foi deposto e um presidente democraticamente eleito deverá assumir. Mas, por outro lado, os mesmos militares que sustentavam a ditadura de Mubarak não hesitaram em dissolver um Parlamento legítimo nem em desidratar os poderes presidenciais antes de entregá-los a Mohamed Mursi. É crível a hipótese de que os generais tenham negociado para seguir no comando da ampla rede de empreendimentos ligados às Forças Armadas –e das propinas correspondentes.
De resto, Mursi é um islamita. Embora não tenha dado nenhum indício de que pretenda instalar uma teocracia, não parece sábio apostar numa era de liberdades civis para todos.
Em termos comparativos, os egípcios estão melhor hoje na escala da democracia do que um ano e meio atrás, quando os protestos na praça Tahrir tiveram início. Ainda assim, é inevitável certo gosto de frustração.
Esse sentimento ganha força com a leitura de “Por que Nações Fracassam”, de Daron Acemoglu e James Robinson, lançado em março nos EUA. Os autores sustentam –e tentam provar, por meio de convincentes exemplos– que o principal fator a distinguir países que dão certo de seus congêneres malogrados é a existência de instituições que promovem o poder político dos cidadãos e lhes permitem tirar proveito das oportunidades econômicas.
Para Acemoglu e Robinson, o Egito é pobre não por causa de fatalidades geográficas e culturais, mas porque sempre foi dirigido por elites que organizaram o sistema para beneficiar a si próprias. Até onde se vê, esse arranjo ainda não foi rompido. Se as coisas continuarem assim, a Primavera Árabe será mais uma das muitas revoluções para não mudar nada a que os egípcios já assistiram.
                                                                                  **************
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Sobre Lícia Peres

Sou socióloga, feminista, fundadora do PDT, mãe do Lorenzo, cinéfila, amante da literatura e da música. Nascida em Salvador-BA, adoro os verões baianos, onde encontro minha família de origem. Escrevo sobre temas da atualidade e, seguidamente, faço palestras.
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