Dia Mundial do Meio Ambiente

 

(9ejmg2010.blogspot.com)

Rio Amazonas

(natureza a 4g.blogspot.com)

( antartic2011.blogspot.com)

Ontem, 5 de junho, foi o Dia Mundial do Meio Ambiente. Minha intenção era a de postar uma matéria sobre esse tema de inquestionável importância para todos nós, o que faço hoje.

A criação da data foi em 1972 em virtude de um encontro promovido Pela ONU para tratar de assuntos ambientais que englobam o planeta.

A matéria abaixo é um resumo da conferência feita no ano passado por Jean Michel Cousteau, um apaixonado ambientalista, no Fronteiras do Pensamento.

Boto cor de rosa

(pt.wikipedia.org)

O Mundo Submarino

Por Sonia Montaño

Filho de Jacques Cousteau, explorador francês pioneiro na descoberta dos recursos do
fundo do mar, Jean-Michel Cousteau foi o conferencista da noite de ontem, 5 de julho, no
Fronteiras do Pensamento. Jean-Michel, oceanógrafo e ambientalista francês, abordou o tema
Aventuras no Oceano: do Amazonas à Antártida e teve como debatedora Lara Lutzenberger,
bióloga, presidente da Fundação Gaia, e filha do ambientalista brasileiro José Lutzenberger.
Ao apresentar Jean-Michel, Lara se lembrou de um encontro semelhante ao da noite de
ontem, entre Lutzenberger e Jacques Cousteau, em um congresso na Alemanha, com crianças
preocupadas com os problemas ambientais. A bióloga, introduzindo a conferência, afirmou
que para lutar por uma causa devemos ter um vínculo emocional com ela, e para construir
esse vínculo precisa de interação, conhecimento e enamoramento pela causa.
Jean-Michel Cousteau iniciou sua fala lembrando que aos sete anos seu pai o teria
empurrado para dentro das águas oceânicas com um cilindro nas costas, junto com seu irmão,
no Mediterrâneo. “Me senti como uma criança numa loja de brinquedos, me apaixonei pelo
que vi”, afirmou o oceanógrafo. Os anos foram passando e, à medida que mergulhava mais
profundamente, via cada vez mais lixo no fundo do oceano. Ele destacou as interligações do
sistema aquático: se bebemos água ou esquiamos, é do oceano que estamos falando, se
depositamos lixo no Amazonas ele vai chegar à Europa, à América, a todos os continentes.
Amazônia
Jean-Michel lembrou os anos de 1981 a 1983, quando passou 20 meses com seu pai e sua
família na Amazônia. O Amazonas se tornou o lar da família Cousteau durante esse período. Na
época, a região amazônica de Manaus contava com muito poucos habitantes. Quatro anos
atrás, o ambientalista voltou à região e a achou com 2 milhões de habitantes, afetando o rio
Negro e o rio Amazonas. “Quando se olha o Amazonas, que eu chamo de raiz do oceano,
vemos que esses rios estão distribuídos em nove países diferentes. O Brasil controla 65% do
rio, e 20% da água doce vem de lá”, explicou o francês. Para ele é urgente aprender a
gerenciar esses recursos do mesmo modo que se gerencia uma empresa, usufruir dos lucros
sem gastar os recursos. “Se você gasta mais que a receita, vai à falência. Neste ponto nos
encontramos atualmente. Ninguém quer chegar lá. O Amazonas é um tesouro que vocês têm
no país de vocês”, repetiu diversas vezes o conferencista.
Mudanças climáticas
Segundo o oceanógrafo, temos um trabalho a fazer: diminuir a emissão de CO2. Os céticos
não acreditam que as mudanças climáticas se devem à presença do homem na Terra, mas,
conforme o conferencista, estão enganados. As mudanças acontecem quando não
conseguimos mais reciclar o impacto que causamos no planeta. A emissão de CO2 é de nossa
responsabilidade, ele acelera o processo de aquecimento que naturalmente ocorreria. As
mudanças climáticas terão ainda um impacto em muitas pessoas, que deverão abandonar suas
casas, e não há estrutura para enfrentar esse problema. As regiões muito planas vão acabar
embaixo da água. No sul do Pacífico já estão começando a sair do lugar onde vivem. A
temperatura aumenta o volume da água e aquece o clima. Além disso, o CO2 produz um efeito
de acidez no oceano que faz com que a capacidade dos animais de construir seu esqueleto
diminua. Crustáceos não vão conseguir montar suas carapaças por causa dessa acidez. Outra
consequência das emissões é que as geleiras estão diminuindo. Muitas pessoas dependem do
gelo para a obtenção da água doce e para gerar eletricidade. As autoridades estão começando
a perfurar para encontrar mais petróleo e gás na bacia amazônica, colocando uma tubulação
para petróleo e outra para água. Precisa-se de 20 litros de água doce para cada litro de
gasolina, e depois essa água é colocada de novo no ambiente sem tratar, poluindo. Ela deve
ser tratada antes de ser colocada no ambiente, e há tecnologias que possibilitam o
tratamento. Sua equipe está sugerindo isso no Peru e também em outras regiões onde esses
procedimentos são realizados. A tarefa do oceanógrafo e de seus colaboradores da fundação
Ocean Futures Society é dialogar com empresários, autoridades e buscar de todas as formas
fazer com que os que tomam as decisões tomem antes conhecimento desses fatos.
O mundo submarino
O ambientalista desmitificou ainda o mundo submarino como um mundo temido e
ameaçador para o homem. “Meu pai me empurrou pra dentro da água e me tornei um
mergulhador. Gosto de estar debaixo da água principalmente porque lá não há mosquitos,
mas há jacarés, piranhas, tartarugas gigantes, crocodilos, anacondas e animais assustadores”,
afirmou Jean-Michel. Contudo, mostrou diversos vídeos em que seus filhos nadavam com tais
animais e estes não demonstravam interesse nos humanos. “No fundo do mar, eles não nos
atacam, não estão interessados nas pessoas”, demonstrou o ambientalista.
Legado de Jacques Cousteau: protegemos o que amamos
Para resumir o legado principal do pai, Jean-Michel contou uma história. No final da
expedição ao Amazonas, nos anos 1980, a família tinha adotado uma ariranha que estava
machucada e cuidou dela. A ariranha morou com eles, brincava, era da família, estava tão
acostumada aos humanos que precisaram encontrar outro lar para ela antes de irem embora.
“Ela fazia bagunça, pulava na nossa cama, na mesa durante o almoço, mas nós a amávamos e
foi muito difícil nos separarmos dela”, lembrou o cientista. Quando a separação foi inevitável,
ficaram muito tristes, e seu pai lhes disse, depois de um longo silêncio: “As pessoas protegem
aquilo que amam”. Para ele, isso foi o resumo de como virar o rumo da história, convidando a
plateia a pensar nessa possibilidade enquanto exibiu um vídeo sobre as baleias do Havaí.
Respondendo a perguntas do público, Jean-Michel lembrou algumas formas de
contribuirmos para a busca de uma sociedade sustentável. “Nos EUA cada individuo consome
de 1.000 a 1.600 sacolas durante um ano. Eu uso a sacola que minha mãe usava. Em alguns
lugares, se você leva a mesma sacola recebe 5 centavos, pode melhorar seu padrão de vida e
ajuda a diminuir o lixo. No oceano a tartaruga vai ver sacola de plástico e vai pensar que é uma
água viva, vai comer o plástico e vai morrer”, exortou o francês.
O conferencista finalizou falando do seu livro Meu pai, o capitão, em homenagem aos
cem anos que seu pai teria completado no dia 11 de junho deste ano. Na verdade, ele queria
dar o título Minha mãe, o capitão, mas os editores não permitiram. No livro fica evidente a
força da mãe de Jean-Michel, que animou a família e a tripulação. “Ela morreu sete anos antes
e meu pai ficou totalmente perdido sem ela”, lembra o filho. Contudo, há muitos Cousteaus
que seguem o caminho do seu pai sem necessariamente levar o sobrenome, dedicando-se ao
bem-estar dos humanos no planeta. “Trata-se de gerenciar e proteger nosso ambiente, o
sistema que nos sustenta. Devemos cuidar as pessoas, o oceano, a educação. Sei que amanhã
posso não estar mais aqui, mas há muita gente que seguirá o sonho de meu pai”, enfatizou
Jean-Michel.
Os vídeos exibidos por Jean Michel Cousteau durante sua conferência no Fronteiras do
Pensamento e muitos outros estão disponíveis no canal do YouTube da Ocean Futures Society,
ONG fundada pelo oceanógrafo, no link: http://www.youtube.com/user/OceanFutures

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Sobre Lícia Peres

Sou socióloga, feminista, fundadora do PDT, mãe do Lorenzo, cinéfila, amante da literatura e da música. Nascida em Salvador-BA, adoro os verões baianos, onde encontro minha família de origem. Escrevo sobre temas da atualidade e, seguidamente, faço palestras.
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