Abuso sexual de crianças

O alto índice de abuso sexual contra crianças e o fato de que quase 90% dos casos são praticados por pessoas que frequentam o seu ambiente familiar exige uma série de medidas. É necessário divulgar informações para identificar  as ocorrências  e saber  lidar de forma correta  com o problema. Xuxa, ao confessar que foi abusada escancarou um problema de suma importância. Foi, sem dúvida uma atitude muito corajosa.

Zero Hora de 23/05  publicou um artigo da  minha querida amiga  Maria Aparecida Vieira Souto, uma especialista no combate  à violência sexual contra crianças

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Xuxa: uma sobrevivente

ABUSO SEXUAL

É preciso chegar antes que uma vítima

(criança adolescente ou mulher) se torne:

Um boletim de ocorrência

Um processo judicial

Um dossiê médico

Um caso psicológico

Uma notícia de jornal

Ou um corpo no necrotério.

                                                                                                                                               Dra Maria Amélia Azevedo

O emocionado depoimento de Xuxa ao Fantástico, fez o desejado por toda campanha de enfrentamento ao abuso sexual de crianças e adolescentes: chegar, rapidamente e ao mesmo tempo, ao maior número possível de pessoas, mostrando com clareza, a dor e sofrimento sentidos diante do abuso sexual. Foi o que aconteceu. Provavelmente, devido à notoriedade da apresentadora, milhões de pessoas assistiram  a sua declaração. O impacto produzido é inimaginável. Sem dúvida, inúmeras pessoas se reconheceram no relato. Algumas conseguirão quebrar o silêncio e denunciar. Outras compreenderão que, embora sabedoras de algum tipo de abuso sexual, preferiram ignorá-lo e, ao escolher o silêncio, escolheram o lado do abusador, tornando-se, portanto, cúmplices!

Há dois tipos de agressores sexuais: o abusador e o molestador, com estratégias diferentes. O abusador é mais sutil, utiliza carícias discretas, raramente é violento, fazendo com que a criança não se sinta abusada ou mesmo que outras pessoas notem. O molestador é mais invasivo, menos discreto, frequentemente usa a violência.

O abusador costuma dar atenção especial à criança, ficar íntimo e explorar sua necessidade de afeto. Insinua gradativa e, indiretamente, assuntos sexuais, solicitando-lhe carícias genitais ou que se submeta a elas.  A criança poderá se recusar e dizer que o denunciará. O abusador, então, a ameaçará. Por não saber o que fazer, ela ficará insegura e confusa. Muitos adultos desqualificam ou negam relatos. Isto é lamentável visto estudos indicarem ser a reação dos adultos diante da revelação, o principal fator responsável pelo trauma.

Os pais precisam “aprender a ensinar” seus filhos a se protegerem de abusos sexuais. Para se proteger a criança precisa saber fazer três coisas: 1. Identificar situações de abuso e dizer não;  2. Sair da situação o mais rápido possível e 3. Imediatamente, contar para alguém.

Quando uma criança muda seu comportamento, especialmente, com familiares, algo pode estar acontecendo. Quando não quer mais abraçar, beijar, sentar no colo ou ir à casa de alguém, é importante perguntar-lhe do que ela não gosta em cada uma daquelas situações. O do que permite uma resposta mais precisa, possibilitando a identificação de abuso sexual.

Tomara que a dor e sofrimento mostrados por Xuxa sejam suficientes para convencer os pais da tarefa que lhes cabe.

Maria Aparecida Vieira Souto

Assis.Social, Esp.em Ed. Sexual e Representante do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente no Comitê Munic. de Enfr. à Viol. e Expl. Sexual de Crianças e Adolescentes de P. Alegre.

mariaavsouto@ig.com.br


 


As.Social/Esp.Educ.Sexual
CRESS 1600 – 10ªReg/RS
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Sobre Lícia Peres

Sou socióloga, feminista, fundadora do PDT, mãe do Lorenzo, cinéfila, amante da literatura e da música. Nascida em Salvador-BA, adoro os verões baianos, onde encontro minha família de origem. Escrevo sobre temas da atualidade e, seguidamente, faço palestras.
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