Um Certo Fatalismo

(misturas.blogspot.com)

Quando dirijo meu carro, tornaram-se frequentes os sobressaltos  em meio ao caótico trânsito . Muitas  motos ziguezagueiam entre os carros, ultrapassando-os pela direita e pela esquerda, sem qualquer cuidado.

Há tempos, dirigir era um prazer, hoje apenas uma necessidade.   Por isso,  reproduzo aqui meu artigo publicado em março de 2010 (jornal ZH).

Considero um avanço a implantação de ciclovias. A bicicleta é um meio de transporte, limpo -não poluente- e muito civilizado. Recentemente na Europa vi inúmeros locais para os ciclistas deixarem seus veículos em segurança.

A educação para o trânsito  continua sendo uma necessidade imperiosa, assim como o rigor contra os infratores.

(jtribunapopular.com.br)

Um certo fatalismo, por Licia Peres*

Para conquistar alguma serenidade nos tempos atuais, torna-se necessário adotar um certo fatalismo. Não se trata, evidentemente, de nos rendermos a tudo o que acontece, culpando o destino e acreditando, à maneira oriental, que tudo já está previamente determinado por um poder superior.

O fatalismo ao qual me refiro é termos consciência de que existem fatos praticamente inevitáveis para os quais qualquer precaução é inútil. Um exemplo são os fenômenos da natureza, as catástrofes que colhem repentinamente milhares de pessoas, como aconteceu com a médica Zilda Arns em missão solidária no Haiti. A bala perdida, a tendência genética na área da saúde são também, de uma certa maneira, tragédias que não se anunciam.

Pessoas que se acautelam e tomam algumas precauções safam-se de muitos problemas e evitam, assim, muitas vicissitudes. Recolher-se em casa para não sair à noite e correr qualquer risco, entretanto, é abrir mão do viver e pagar um preço demasiado alto ao medo.

Por outro lado, precisamos intervir de forma incisiva e exigir medidas quando chega ao nosso conhecimento que estamos à mercê de um risco evitável.

Estudo coordenado pela UFRGS em amostragem de 101 motoboys concluiu que 75% dos motoristas entrevistados apresentam alguma doença psiquiátrica. Assim, circulam velozmente nas ruas de nossa cidade pessoas com transtorno de humor, consumidores de álcool e de outras drogas, além do déficit de atenção e de personalidade antissocial.

Os sustos que passamos no trânsito pela irresponsabilidade de muitos motoboys são por demais conhecidos (e sofridos). São espelhos laterais quebrados, batidas nos automóveis com rápidas fugas, quando nem dá tempo para visualizar a placa, e tantos outros. Por tratar-se de um serviço útil, poupador de nosso tempo, meio que nos conformamos. Volta e meia deparamos com motoqueiros acidentados e somos tomados pela compaixão. São geralmente jovens, e o estresse de cumprir metas no prazo de entrega tornou essa profissão um grande risco para si próprios e para os demais.
O diagnóstico publicado em Zero Hora é alarmante e exige providências imediatas do poder público, como exame psicológico mais rigoroso para a concessão das licenças, fiscalização nas condições de trabalho, vias exclusivas para as motos, ou que sejam obrigados a seguir na linha dos demais carros. Algo deve ser feito e urgentemente.

Um certo fatalismo, desejável para vivermos melhor – e com alguma serenidade –, não pode ser pretexto para omissão irresponsável.

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Sobre Lícia Peres

Sou socióloga, feminista, fundadora do PDT, mãe do Lorenzo, cinéfila, amante da literatura e da música. Nascida em Salvador-BA, adoro os verões baianos, onde encontro minha família de origem. Escrevo sobre temas da atualidade e, seguidamente, faço palestras.
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