Cercamento dos Parques

Fico indignada quando vejo que logradouros públicos são permanentemente  alvo das ações de vândalos.

Roberto da Matta , quando esteve em Porto Alegre disse,muito apropriadamente, que os espaços públicos são apropriados como se fossem de ninguém. Joga-se lixo nas ruas, com a maior cara de pau. Lâmpadas são quebradas  por pura divertimento.

Em meu  artigo publicado  em Zero Hora ,expus as razões reproduzidas abaixo.

Parque Cercado (foto : flashesdeviagem.com)

Regularmente volta a discussão o cercamento dos parques de nossa cidade, assunto que divide as opiniões e ocupa as páginas dos noticiários.

Falou-se até em plebiscito para que a população decida o que deve ser feito. Cercar ou não cercar, eis a questão.

Penso que mais do que tarda, a proteção destas áreas de recreação e lazer, e que tal medida – de puro bom senso – prescindiria de uma decisão plebiscitária, a exemplo da criação de um local adequado para os camelôs, na última gestão. A meu ver, a lei municipal que dispõe sobre a necessidade de consulta popular seria dispensável. Trata-se de uma medida administrativa e normatizadora, já que o poder público é o responsável pela preservação desses espaços, sistematicamente alvos de vandalismo. Afinal, quem é obrigado a limpar permanentemente bustos e estátuas (os que não foram roubados, evidentemente), a repintar o que foi pichado, a replantar o que foi arrancado, para que não seja tachado, justificadamente, de negligente e omisso?

Essa providência é urgente, já que diversos monumentos são danificados e estes, na condição de patrimônio público, precisam ser resguardados pelos administradores. Toda a despesa sai dos cofres públicos, ou seja, do dinheiro do contribuinte.

Não me refiro aos encontros sexuais, recentemente mostrados em reportagem de ZH, mas ao perigo para aqueles que, ao frequentar áreas de risco, expõem sua própria integridade física.

Muitos exemplos existem, não só em diversas cidades europeias como Londres e Madri, onde a população pode desfrutar de parques limpos e preservados, com sistema de horários para abertura e fechamento que variam segundo as estações do ano, mas aqui mesmo no Brasil há modelos significativos.

Em Salvador, Bahia, o Largo 2 de Julho, conhecido como Campo Grande, há décadas vinha sofrendo um processo de crescente deterioração. Sujo, estátuas quebradas, plantas destruídas, tornara-se um sítio perigoso e inóspito. Foi um encantamento vê-lo inteiramente reformado, limpo, ajardinado, com luminárias restauradas e maravilhosas esculturas. Totalmente cercado, abre às cinco da manhã e fecha às 22 horas. As grades e os portões de acesso, apesar de fortes, são verdadeiras obras de arte, lembrando galhos de árvores e em harmonia com a natureza. Foi criação de artista plástico local e são objeto de admiração pela criatividade e beleza.

É importante ressaltar que parques e jardins são espaços de lazer e recreação para a população em geral e, como tal, devem ser limpos e seguros. Não podem ser moradia para mendigos, nem acolhida para vândalos. Até porque seria um menosprezo aos pobres considerar adequados espaços a céu aberto para que ali pernoitem e façam suas necessidades, como se bichos fossem. Os pobres precisam de políticas públicas que lhes garantam a dignidade do viver, incluído o direito à habitação decente.
A frequência constante da população aos parques de nossa cidade é uma das práticas mais agradáveis e já constitui uma característica local. Zelar pela conservação destes espaços, dando-lhes cuidado e atenção é medida não só imperiosa, mas civilizadora.

 

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Sobre Lícia Peres

Sou socióloga, feminista, fundadora do PDT, mãe do Lorenzo, cinéfila, amante da literatura e da música. Nascida em Salvador-BA, adoro os verões baianos, onde encontro minha família de origem. Escrevo sobre temas da atualidade e, seguidamente, faço palestras.
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