[artigo] Livros

(Foto: HF at home)

Publicado em Zero Hora em 09/03/12

Lícia Peres

“Tu podes levar um livro a qualquer lugar. Ele faz o mesmo por ti.”

A frase acima, escrita na vitrine de uma pequena livraria na Avenida Cristóvão Colombo, em Porto Alegre, por onde passo frequentemente, faz-me pensar sempre na verdade de suas palavras.

Lembro das infindáveis viagens em que a leitura me levou. Acompanhar Alice na toca do coelho, maravilhando-me com suas aventuras, os desafios a enfrentar e os personagens bizarros e amalucados com que ela (nós) depara é inesquecível. Será que, se nos entregarmos em demasia ao sofrimento, corremos o risco de nos afogar em nossas próprias lágrimas? Penso que sim. Essa história-sonho encantou a menina que fui e a que em mim permanece.

A viagem ao Coração das Trevas, de Joseph Conrad, em que o seu contador de histórias relata aos marinheiros as atrocidades cometidas na África, as contradições humanas – o fator psicológico e ambiental – e os danos causados pelo colonialismo do século 19, foi outra experiência marcante. Atemporal, cem anos após sua publicação, inspiraria Coppola no filme Apocalypse Now, tendo como cenário Camboja /Vietnã. O horror que não devia ser silenciado.

A razão que me leva a escrever este texto é para elogiar a ação da prefeitura ao lançar o Plano Municipal do Livro e da Leitura, em Porto Alegre.

A implementação do PMLL é de indiscutível valor. Torna o livro acessível, aproximando-o das pessoas, ao mesmo tempo em que estimula a formação de novos leitores. O livro vai, assim, buscar seus leitores.

Trata-se de várias ações continuadas, dentre as quais a criação de bibliotecas públicas, a descentralização através de bibliotecas comunitárias, incentivo da leitura desde as escolas infantis; fortalecimento de publicações, envolvimento dos professores, das famílias, concursos literários, bolsas para pesquisa e muito mais.

Os leitores, atuais e futuros, terão suas vidas enriquecidas pelo prazer e pela reflexão. Uma ferramenta para entender a realidade brasileira e o mundo atual. Mais cultos, serão mais livres para exercer sua cidadania.

Parabéns Porto Alegre!

*Socióloga

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Sobre Lícia Peres

Sou socióloga, feminista, fundadora do PDT, mãe do Lorenzo, cinéfila, amante da literatura e da música. Nascida em Salvador-BA, adoro os verões baianos, onde encontro minha família de origem. Escrevo sobre temas da atualidade e, seguidamente, faço palestras.
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Uma resposta para [artigo] Livros

  1. Nathalia Setúbal disse:

    Nenhum livro para crianças deve ser escrito para crianças.
    Fernando Pessoa – Obra em poesia, “Ideias estéticas” – Da Literatura, p. 345.6

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